Da Facit aos Computadores de Bordo



Minha história começa em 1974 quando comecei a participar de provas de rallye.

Naquela época não havia as facilidades dos equipamentos eletrônicos que temos hoje. Todos eram mecânicos e de grande fragilidade, pois trabalhavam com engrenagens e eram fabricados para serem usados em escritórios e não dentro de um carro pulando em estradas de terra.

 

..O Protótipo Bantam BRC 60 (ou Mark II), o Bliz BuggyPara fazer os cálculos de navegação usávamos máquinas FACIT.

Na janela da direita, que era incrementada a cada volta da manivela, tínhamos a distância acumulada. Na esquerda inferior a média em minutos por quilometro e na superior o tempo acumulado em minutos.

 

 

Outra maquina usada era a CURTA, uma maquina pequena que funcionava de forma semelhante a FACIT.

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Para determinar se estávamos adiantados ou atrasados bastava girar a manivela até uma determinada distância, ler o tempo acumulado em minutos e centésimos de minuto, esperar que o odômetro marcasse a distância e comparar o tempo calculado com o tempo marcado no cronometro sexagesimal.

 

 

O Protótipo Ford Pygmy

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Os odometros também eram mecânicos. Marcavam de 10 em 10 metros. Para aferi-los tínhamos um conjunto de mais de duzentas engrenagens.

 

Em 1976 começaram a surgir as primeiras máquinas eletrônicas programáveis. Uma delas era a HP 21. Tinha 21 passos de programação, sua memória era volátil, isto é, quando era desligada perdia o programa, e como uma bateira não tinha energia suficiente para uma prova o navegador era obrigado a digitar o programa diversas vezes durante uma prova.

 

O Primeiro Jeep ® de produção, o Ford GP

 

A HP 25C surgiu pouco depois. Sua memoria não era volátil e tinha mais passos de programação.

Os programas para essas máquinas tinham a lógica parecida com a da FACIT. O tempo era calculado, multiplicado por 1000 e trucado (sem casas decimais). A distância era dividida por 1000 e somada ao tempo. Com isso antes da vírgula era mostrado o tempo e a distância depois. Todas as vezes que a tecla R/S era pressionada a distância era incrementada em n metros.

 

Em meados da década de 80 as máquinas programáveis se tornaram mais potentes, com relógios internos, permitindo programas mais elaborados que praticamente foram os precursores dos computadores de bordo para navegação de rallye velocidade.